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MCP On the road

Aventura na N2

Embora o dia tivesse amanhecido sereno e sem chuva, era certo que até Chaves, começo da "nossa estrada - N2", iriamos ter chuva e algum frio.
Nada que não fosse previsível e que o grupo de 17 motos do MCP não estivesse preparado.
Impermeáveis vestidos e café tomado, arrancamos para Chaves, e em formação, chegamos ao marco zero da N2.

Aí chegados e abastecidas as motos, começamos a nossa aventura, por tantos esperada, de fazer os 738 km que unem Chaves a Faro pela N2, a estrada mais longa de Portugal e uma das mais longas do mundo.
Uma ligeira paragem a 7 km de Chaves serviu para um café retemperador, um rápido briefing e a entrega do guia da N2, passaporte da N2 e autocolante alusivo ao evento.
Inicialmente encoberto, o sol começou a dar os ares de sua graça, e ainda a meio da manhã e em Santa Marta de Penaguião, desistimos dos impermeáveis e diminuímos os agasalhos e continuamos o percurso até à paragem para almoço no restaurante típico do Mezio.

Umas entradas, um arroz de salpicão e feijão e varias sobremesas serviram para retemperar forças e assegurar a boa disposição do grupo para a ultima tirada do dia.
A um ritmo certo e com a temperatura a subir, os quilómetros foram-se sucedendo e o prazer de condução no troço norte da N2 era patente pelo grupo compacto.
Cruzar Viseu é uma aventura, tal a quantidade de rotundas em que se perde o norte e o registo da N2. Nesta altura e por breves momentos a caravana quebrou, mas resolvido logo de seguida o problema!
Em Santa Comba Dão e na berma da N2, a residência familiar de Antonio de Oliveira Salazar serve de referência.
A IP3 calca a N2 e confunde e baralha o percurso original. É preciso alguma calma e perspicácia para não perder o rumo!
A passagem por Gois lembra-nos a Concentração Mototurística de Gois e também algo que poucos se lembram e relacionado com os automóveis: O herói Michel Vaillant da banda desenhada criada por Jean Graton, que enriqueceu a nossa infância, na sua edição Rali em Portugal, passa em Gois com a sua equipa e abastece no então posto SONAP, precisamente na N2.
Antes da paragem final do dia, a travessia da ponte Filipina que unia as duas Pedrógão na antiga N2 separadas pelo rio Zêzere, foi feita apenas por meia dúzia de motos já que o resto do grupo preferiu passar pela barragem do Cabril, nova e actual N2.
Com a chegada ao Hotel da Montanha em Pedrógão Pequeno, foi tempo para uma piscina com água aquecida e um jacuzzi para relaxar, jantar um magnifico buffet, descontrair e trocar historias e episódios divertidos antes de dormir.
Segundo dia, saída as 9h30, abastecimento das motos na Sertã e seguimos para Vila de Rei, onde se encontra o marco geodésico que divide a meio o nosso país. A fotografia da praxe e a constatação de que pela N2 anda muita gente, de moto, de carro, de bicicleta, em excursão, sozinhos ou acompanhados…!
A temperatura começa a subir e a boa disposição também. O sol e o calor têm destas coisas.
A paisagem começa a mudar e a profusão de rectas e curvas seguem-se a um ritmo cada vez maior.
A travessia do vale do Tejo que desce do Sardoal e passa junto a Abrantes com o km 400 perdido algures....
Aqui as grandes rectas surgem até Ponte de Sor e continuam pela barragem de Montargil, Mora e Ciborro já no km 500.
A fome aperta e em Montemor-o-Novo assentamos arraiais no Restaurante a Ribeira, a não perder pela qualidade e simpatia do seu proprietário Carlos Carriço, que desde 1999 canta a ementa em cima de uma mesa, divertindo toda a gente e distribuindo boa disposição e surpresa!
Com a chegada a Ferreira do Alentejo entramos no Alentejo profundo, com os cheiros típicos e o calor a valer!
Rectas a perder de vista de Castro Verde até Almodôvar, e a planície dourada que nos embriaga pelos cheiros e paisagem.
A transição do Alentejo para o Algarve é feita pela Serra do Caldeirão, passando pelo Ameixial até ao Miradouro do Caldeirão, começando a descer até São Brás de Alportel.
As 365 curvas da serra do Caldeirão fazem as delicias dos motociclistas e valem pelo percurso em que o "deita que deita" consegue extenuar até o mais preparado!
A chegada a Faro impõe a foto no marco do km738. Existe a referencia ao km 738.5 mas por questões logísticas não facilita o estacionamento, e por isso ficamos pelo mais conhecido e surrado marco quilométrico do país!

Cansados mas felizes e de alma renovada, esperava-nos o Hotel Magnólia na Quinta do Lago, com umas fantásticas instalações, piscina de água salgada e aquecida a 28°.
Restabelecidos, e depois de uma cervejinha bem gelada, degustamos uma cataplana de marisco regada com um vinho branco digno de uma garrafeira especial....
A nossa estrada N2, tinha sido cumprida na sua totalidade, da forma planeada e com os horários a serem cumpridos.
No dia seguinte de manhã, o retorno era livre e enquanto uns se ficaram pelo magnifico Hotel e fizeram a viagem de volta a casa em 2 dias, a maior parte optou pelo percurso pela Costa Vicentina, parando para almoçar em Vila Nova de Milfontes repetindo o restaurante já utilizado em 2016 mas que desta vez nos surpreendeu por ter melhorado exponencialmente!!
A viagem seguiu por Alcácer, Montemor, Coruche e Santarém onde entramos na A1 para um percurso mais rápido de volta a casa.
Foram perto de 1600 Km feitos em 3 dias, com um tempo excelente e em que a boa disposição e a diversão imperaram!
Até à próxima com o Moto Clube do Porto!

Comentário do nosso organizador e que está de parabéns pelo belo passeio apresentado...

Se há coisa de que nós portugueses não nos podemos queixar é do tempo e da beleza deste nosso país, somado às fabulosas estradas e às paisagens que nos fazem encher a alma. Aproveitando estas características únicas, o Moto Clube do Porto decidiu realizar um passeio de 3 dias para percorrer a nossa estrada, a Nacional 2 e regressar a casa pela costa vicentina e algumas Nacionais de tempos idos.
Inicialmente o tempo previa-se duvidoso, mas chegado o dia da partida, brindou-nos com uma ligeira chuva a caminho de Chaves e com sol no resto dos dias atingindo temperaturas de 37° no ultimo dia.
Toda a logística do passeio, preparada ao mínimo pormenor deu os seus frutos, com as refeições e estadias no Hotel da Montanha em Pedrógão pequeno e no Hotel Magnólia na Quinta do Lago a superarem as expectativas, tanto nos jantares, como na qualidade de alojamento e principalmente na simpatia e disponibilidade do seu staff !
As 17 motos e 22 pessoas percorreram os 1600 km da totalidade do passeio com a boa disposição e diversão que é apanágio dos membros do MCP e que é o motivo por que se organizam estes passeios, além do objectivo numero 1 que é simplesmente, ANDAR DE MOTO!!
Nesse sentido e como organizador deste passeio e com a preciosa ajuda do Nuno Trepa Leite, agradeço a todos os participantes a sua presença, a sua alegria e boa disposição, e a forma tranquila como se processaram os 738 km da Nossa Estrada !!
Paulo Beigel