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Acabar com as mortes na estrada

Fórum de Segurança. Sensibilização e Prevenção RodoviáriaMCP marcou presença no Fórum de Segurança e Prevenção Rodoviária

O Moto Clube do Porto marcou presença no 2.º Fórum Nacional de Segurança, Sensibilização e Prevenção Rodoviária para Motociclistas, promovido pela Bênção dos Capacetes, no Seixal. Uma iniciativa louvável, apoiada no dinamismo de Carlos Pereira e da sua equipa, que visa, anualmente, perceber e debater as causas dos acidentes com duas rodas. E, mais importante, pensar as formas de minimizar os seus riscos e consequências rumo ao desejado objetivo de "Zero mortes na estrada".

O MCP, por intermédio do presidente da Assembleia geral, Paulo Ribeiro, integrou o painel que debateu "As duas rodas na sociedade portuguesa", apresentando o trabalho efetuado pelo Clube neste capítulo do longo de 36 anos de vida. Juntamente com Andreia Pinho, do INEM, Leopoldino Lopes, presidente do Motoclube do Seixal, e dos juristas da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária, Mário Nazaré e Vanda Mendes, abordou vários pontos da integração dos motociclistas na "sociedade civil", sublinhando a intervenção e importância da colaboração com as mais diversas entidades. Elencando eventos como a Festa da Moto, os Batismo de Moto ou as colaborações nas mais diversas atividades de índole social (apoio aos sem-abrigo, às vítimas dos incêndios, ao IPO e outras entidades) esta presença reforçou a significância do MCP no meio motociclístico nacional e a sua ligação aos mais diversos setores, mostrando-se como um interveniente sempre ouvido e respeitado.

Sinistralidade rodoviária: causas e efeitos

Uma ação que decorreu no Auditório Municipal do Fórum Cultural do Seixal, contando a presença de todas as entidades do sector, nomeadamente a Prevenção Rodoviária Portuguesa, representada pelo seu presidente Alain Areal; o Instituto da Mobilidade e Transportes (Pedro Miguel Silva); a Polícia de Segurança Pública (Subcomissário Leandro Berenguer, do Comando da Esquadra Moto da Divisão de Trânsito); Infraestruturas de Portugal (Francisco Mendes, diretor do Departamento de Segurança Rodoviária e Ferroviária); Associação Portuguesa de Apoio à Vítima Acidente Moto (Patrícia Tenreiro); e de Rodrigo Ribeiro (conhecido pela intervenção decisiva na "Lei dos Rails").

Intervenientes num debate sobre "A sinistralidade rodoviária. Condições de Segurança. Fatores de risco" que abordou temas tão complexos como a responsabilidade das infraestruturas (estradas no seu todo) nos acidentes com duas rodas e das alterações a promover na diminuição desses riscos. Proteções dos pilares dos rails, tintas antiderrapantes ou sinalização foram apenas algumas das muitas palavras-chave ouvidas ao longo desta conversa que, tal como em todos painéis, terminou com a conclusão do longo trabalho a fazer para alcançar o desiderato de "Zero mortes na estrada".

Objetivos primordial de todas as instituições e individualidades presentes que ficou patente na necessidade de mudanças significativas no ensino da condução, tema do painel "Formação. Presente e futuro". Que promoveu uma interessante troca de experiências e vontade de cooperação entre as escolas de condução, representadas pelo presidente da Associação Nacional de Escolas de Condução Automóvel, António Pinto Reis, e entidades que visam a melhoria das apetências de condução. Nomeadamente a Academia Condução Moto, representada por Domingos Simões, e a Guarda Nacional Republicana, por intermédio de António Maio, Major na Unidade Nacional de Trânsito.

Comungando a opinião de que o ensino na condução de motociclos ministrado pelas escolas "convencionais" é deficitário, a troca de opiniões avaliou a necessidade de mudanças significativas em termos da legislação aplicada, nomeadamente a preparação para os exames de condução. O caminho a seguir poderá passar pela articulação com ações da GNR ou da ACM na melhoria das aptidões de condução, com cursos específicos em função da experiência individual.

Combate sem tréguas à sinistralidade

Com a convicção generalizada de que a responsabilidade principal no combate à sinistralidade motociclística deve começar nos próprios motociclistas, o painel sobre as "Inspeções. Condições de segurança. Fatores de risco" foi deveras esclarecedor no atual momento legislativo e operacional da entrada em vigor das Inspeções Obrigatória a Motociclos.

Necessidade urgente e inadiável defendida pelo presidente da Associação Nacional de Centros de Inspeção Automóvel, Paulo Areal, em contraponto à opinião advogada por Manuel Marinheiro, presidente da Direção da Federação de Motociclismo de Portugal. Que, exibindo dados concretos e objetivos sobre as causas de acidentes com duas rodas, refutou a sua imprescindibilidade para a diminuição de acidentes. Em contrapartida, reafirmou a necessidade de respeitar a legislação e de ter cuidados acrescidos na conceção e construção de infraestruturas rodoviárias, alertando para os perigos crescentes com a aposição de material urbano perfeitamente desadequado e extremamente perigoso para os utilizadores das vias. Sejam pilaretes verticais, lombas de redução de velocidade em locais inadequados ou divisórias horizontais que representam perigos acrescidos para motociclistas.

Destaque ainda para as intervenções de Nuno Guerreiro Jacinto, da Autoridade de Supervisão de Seguros de Fundos de Pensões, que apresentou algumas explicações pertinentes sobre a legislação que rege os seguros, com incidência nas motos clássicas, de TT, condução de motos de amigos e seguro de garagista, e de Paulo Andrade. O subdiretor regional de Transportes Terrestres da Região Autónoma dos Açores, apelou, de forma pertinente e bem-humorada, ao máximo diálogo para ultrapassar as diferenças existentes relativamente às inspeções, dando o exemplo açoriano. Onde as mesmas acontecem desde 2004, com centros em todas as nove ilhas do arquipélago, argumentando com resultados positivos na redução de sinistralidade.

Num dia muito profícuo no debate de temas que dizem respeito a todos e lamentando a escassa adesão de motociclistas, como que alheados da sua própria segurança e fugindo ao debate onde ele deve ser feito, nota para as intervenções da jovem piloto algarvia Carlota Carochinho e da cantora e motociclista Rita Guerra que apelaram ao respeito por algumas regras básicas. De não fazer da estrada uma pista de corridas ou de conduzir sempre bem equipado, como de respeitar todos os utentes das vias públicas e antecipar situações de perigo potencial. Final em beleza para um dia extremamente produtivo em prol da segurança dos motociclistas, com troca de ideias muito positiva e a certeza da evolução rumo à Visão Zero defendida pelo presidente da ANSR, Rui Ribeiro, na intervenção que marcou o encerramento dos trabalhos.