Ou como passar do Outono à Primavera em 3 dias
Perito na inovação, o Moto Clube do Porto voltou a criar evento sem paralelo, levando a bom porto mais uma edição do “À Descoberta…” Este ano apontado a Norte, com epicentro em Chaves e três dias de inovadores passeios por Trás-os-Montes, incluindo mesmo um saltinho a Espanha. Paisagens deslumbrantes e estradinhas deliciosas abriram o apetite para a mais requintada e abundante gastronomia de que há memória. E nem as mudanças de humor de S. Pedro, passando do tempo primaveril ao mais invernoso que se possa imaginar em menos de nada…
OUTONO
Com encontro em Chaves, no Hotel Casino, e uma pontualidade admirável, após o almoço, foi feito o check-in de todos os motociclistas e entregue todo o material de apoio, do dossier de participante ao pack de lembranças do evento. E sem mais delongas, ainda não eram 16 horas, já todos os participantes se apresentavam para a partida do primeiro passeio. Sim! Que este ano tivemos 3 passeios!
Saindo de Chaves começou por se percorrer a mítica N2 até Vidago, onde, com um pequeno desvio, apreciámos a Igreja de Nossa Senhora da Conceição e o Grande Hotel das Pedras Salgadas, seguindo depois por estradinhas bonitas e paisagens deslumbrantes, passando por Bornes de Aguiar e pela Igreja de São Martinho; cruzando depois a Serra da Padrela, chegámos a Carrazedo de Montenegro onde tínhamos um aconchego, vulgo petisco, à nossa espera! A estreia gastronómica foi, como não podia deixar de ser, o famoso Pastel de Chaves! Regressando à estrada, novas curvas e mais paisagens nos esperavam de regresso a Aquae Flaviae onde esta etapa terminava, no restaurante Miradouro; a vista para o vale de Chaves era deslumbrante bem como a passagem da luz do dia para a iluminação noturna da cidade, vilas e aldeias circundantes. Enquanto alguns participantes ficaram por lá a conviver e trocar impressões sobre o passeio do dia, outros foram aos hotéis refrescar antes de regressar para o jantar onde o pernil e o lombo, bem como as sobremesas e a “pomada” não deixaram ninguém indiferente. Ver fotos deste dia aqui ou no final do texto.
INVERNO
Para o 2º dia estava guardado o percurso mais longo desta edição; infelizmente, as previsões meteorológicas não eram as melhores mesmo que a partida, do Largo do Tabolado, tenha sido dada sem chuva. A primeira parte do percurso decorreu debaixo de céu cinzento, com a caravana seguindo sempre junto à fronteira com Espanha, atravessando inúmeras aldeias que, em tempos idos, eram a base de contrabandistas e o último repouso de quem, no tempo da ditadura, passava a fronteira “a salto”. O aparecimento da arreliadora chuva chegou com o primeiro “petisco”, mesmo à entrada do Parque Natural de Montesinho, servido na Praia Fluvial de Segirei, nas margens do Rio Mente, e que ajudou a retemperar forças para mais uns quilómetros de passeio; a partir desta altura o percurso virava a Norte, sempre a acompanhar a fronteira, em direção a Cisterna (onde nos despedimos de Portugal) e a Barxa (que nos deu as boas vindas a Espanha); aqui, o Sol acompanhou-nos até A Gudiña.
O Moto Clube do Porto, pioneiro na inovação e em proporcionar experiências únicas aos participantes, conseguiu importar um pouco de “calorzinho nórdico” para o percurso que levaria a caravana até ao Lago Sanabria; as temperaturas aproximaram-se dos 0º C, a chuva (acompanhada de vento) começou por passar a granizo para, finalmente, se transformar em neve (!); com o início da descida, a queda de água nos suas mais variadas formas diminuiu, continuando o vento forte a fustigar os intrépidos motociclistas até às margens do Lago Sanábria. Com a boa vontade e o espírito ímpar próprio dos motociclistas, foram ultrapassadas as limitações de espaço e servido o almoço “dentro de portas”. E a “paella” confecionada, e bem, pelos “Los Enanos”, tal como o churrasco imperial que se seguiu recolocou a boa disposição na caravana. Já com um tempo melhorzinho e o trajeto a privilegiar as estradas mais rurais, altura de rumar a Puebla de Sanábria, onde o Sol ajudou a desfrutar a beleza do seu centro histórico. Daqui para a frente, regresso a Portugal atravessando parte do Parque Natural do Montesinho até Vinhais e depois até ao Parque de Campismo do Rabaçal (local de várias edições do Piquenique Brincalhão do MCP) onde todos os resistentes foram brindados com um lanche de “comer e chorar por mais”; do folar à alheira grelhada e do presunto à salada de bacalhau, evidentemente bem regado com “pomada transmontana” e outras bebidas (não alcoólicas), tudo estava ótimo e fez atrasar os participantes que não queriam deixar “migalha na mesa”. Apetite de leão que obrigou a que os 60 Km que faltavam para Chaves, ainda com passagem na Pedra Bolideira e no Castelo de Santo Estevão (que muitos devem ter “saltado”) fossem percorridos rapidamente de modo a não atrasar o jantar. Opíparo repasto servido no Hotel Casino de Chaves que, opinião unânime, estava muitíssimo bom. Pena foi que (quase) todos estavam ainda com o lanche no estômago e não conseguiram provar todas as iguarias com que fomos brindados. Finalmente depois de alguns discursos, felizmente curtos J, a noite acabou nas salas do Casino onde os participantes “queimaram” nas máquinas os vouchers gentilmente oferecidos pelo próprio Casino. Ver fotos deste dia aqui ou no final do texto.
PRIMAVERA
Para o final de festa, o MCP conseguiu uma “ajudinha divina”, que chegou sob a forma de uma manhã solarenga e primaveril, bem mais tépida que as anteriores. A caravana voltou a arrancar do Hotel Casino mas desta vez só cerca de metade dos participantes saíram com o “Group Leader”, tendo os menos pontuais seguido com o “Moto Vassoura”. O percurso, em direção a Boticas, privilegiou as estradas menos conhecidas e as aldeias mais recônditas desta região, chegando mesmo a utilizar ruas (?) que passavam por baixo de casas… O passeio fez então “agulha” para as alturas da Serra do Barroso, de onde todos puderam apreciar as fantásticas vistas que a altitude proporciona, antes duma “paragem técnica” em Vilarinho Sêco; aqui foi possível degustar um reforço de pequeno almoço, com apoio da Câmara Municipal de Boticas e maravilhosamente confecionado pelo “Restaurante Casa do Pedro” (que bem nos souberam as iguarias….). A muito custo, a caravana voltou à estrada para descer em direção à Barragem da Venda Nova e, então, rumar a Cabeceiras de Basto para visitar o Mosteiro de S. Miguel de Refojos. Após a visita guiada, voltamos pela última vez à estrada, em grupo, para nos dirigirmos ao Restaurante Nariz do Mundo onde a Vitela Assada e a Chanfana fizeram as delícias de todos (os que ainda tinham espaço nos estômagos) antes das famosas rabanadas com mel! Manjar digno de reis, que era como os participantes se sentiam depois da sinfonia de estradas, paisagens e manjares a que tiveram direito ao longo dos 3 dias deste À Descoberta… de Trás-os-Montes. Ver fotos deste dia aqui ou no final do texto.
Até para o ano! Onde?
Obrigado pelas fotos ao Abel Gomes, Rui Castro e Carlos Gomes
Video Abel Gomes
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