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Maio 6, 2018

Revoltosos em liberdade

20180425 Revolta Motorraliana 043(Re)volta Motorraliana foi passeio comemorativo da Revolução de Abril

Antecipando o Moto Rali de abertura do calendário do Troféu Nacional da Federação de Motociclismo de Portugal e proporcionando uma espécie de ‘treino de conjunto’, o Moto Clube do Porto libertou vários motociclistas do espartilho imposto aos eventos motorralianos. Em vez dos tradicionais dois dias que dura cada evento organizado sob a égide federativa, proporcionou à compacta mas muito divertida caravana a possibilidade de respirar ventos de liberdade, escapando, durante três fantásticos dias, ao jugo dos horários, jogos e questões, em rejubilante passeata por belíssimas estradas beirãs e, sobretudo, da vizinha Estremadura espanhola.

Descontração em rima perfeita com diversão na viagem que teve partida de Castelo Branco, em dia de comemoração do 25 de Abril, e a primeira paragem para um bem saboroso café em S. Salvador do Extremo antes mesmo da entrada em estradas espanholas. Onde, além do café longe dos gostos lusitanos, a configuração e qualidade do asfalto valeu passeio descontraído mas muito prazenteiro até Plasencia, para um almoço mais demorado do que o indispensável, aproveitando assim para fintar a hora de maior calor.
Estavam abertas as ‘hostilidades’ em passeio repleto de ‘tapas & cañas’ e muitas visitas a miradoiros e igrejas. Por vezes lado a lado, como na Virgem del Puerto onde, além do altar em talha finamente trabalhada no século XV, foi possível apreciar a Paisagem Protegida Monte Valcorchero e Sierra del Gordo, incluindo a serra de Béjar. Pela comarca de Vera passeou a caravana passando a vila de Tejed de Tietar antes da descoberta do Museo del Pimenton, em Jaraiz de La Vera, com direito a grande aprendizagem sobre a história e processo de produção do pimentão, especiaria que, ao contrário do que o nome possa sugerir, nada tem a ver com o tradicional pimento. Curiosidades muito apreciadas na Capital Mundial del Pimenton antes do deslumbre paisagístico em locais como a Garganta La Olla, Mirador La Serrana, ou Cuacos de Yuste, aldeia histórica onde brilha o Mosteiro da Ordem dos Jerónimos, fundado no século XV.

Paragens que, além do conhecimento do património arquitetónico e histórico, serviam para desentorpecer as pernas e ‘dar duas de treta’. Como em Jarandilla de La Vera, com umas cañas e uns peticos em tasco típico com vista para o antigo castelo e agora luxuoso Parador. Ou em Madrigal de La Vera aproveitada para conhecer imponente ponte romana. Tudo antes da chegada a Candeleda, com estadia no Hostal La Pastora, onde a música do ribeiro serviu para embalar o sono e sinfonia de chilreios ajudou ao madrugador despertar. E sem dores de cabeça causadas pelo vinho da véspera já que a boa gasosa adicionada, concedeu qualidade mínima para ser bebido.

Paisagens, montanha e cerejas… como no Douro

Em dia muito paisagístico, pouco mais de 230 quilómetros entrecortados por paragens em miradouros, em plenas de motivos de espanto a cada curva. Dos riachos aos prados verdejantes, das serranias com cumes cobertos de neve às pitorescas aldeias, das barragens às igrejas do românico ao gótico tardio, passando pelas imensas curvinhas da serra de Gredos, sempre com sol e a neve em pano de fundo. Mas ainda sem a explosão de cores que, normalmente, chega em maio/junho e que permite desfrutar da calçada romana, em excelente estado de conservação denotando a importância do Império romano nesta região. Sinais da importância da região apreciados em Puerto el Pico (1395 metros), durante a primeira paragem em altitude do dia. Na fronteira da província de Ávila, novo Puerto, o de Tornavacas (1244 m) onde a vista sobre o Vale de Jerte permitiu apreciar o maior vale de produção de cerejas do Mundo, plantadas como as vinhas do Douro, em socalcos para maximizar o aproveitamento da área de produção. Em direção a Hervás, à procura de uma sombra para almoçar – e que bem se esteve! – passagem por mais um Puerto, o de Honduras (1440 m), com mais uma ‘barrigada’ de paisagens espetaculares. E para a digestão, nada como a visita ao Museo de La Moto e del Coche, considerado o segundo maior acervo privado da Europa, propriedade de Juan Gil Moreno. Possibilidade única para ver joias de outros tempos, com uma coleção onde pontuavam muitos modelos espanhóis (Montesa, Ossa, Derbi, Sanglas) entre algumas pérolas da italiana Ducati, da suíça Motosacoche, da britânica BSA e até uma rara Monet & Goyon de origem francesa. Banho de cultura antes do vislumbre de Béjar, Soto Serrano e Riomalo de Abajo rumo a Vegas de Cória, palco do merecido descanso em hotel de nome condizente: Las Vegas.

Mais curvas, serras e paisagens de suster a respiração

Repouso que garantiu novo alento para o terceiro dia desta excursão em terras extremenhas antes do encontro, ao final da tarde, com os restantes participantes no 24.º Moto Rali do Moto Clube do Porto. Pelo caminho, mais curvas através do Parque Natural de Las Francias, passando por El Portillo (1239 m), pelo vale de Las Batuecas e com paragem em mirador, mais um, antes da descida até La Alberca. Belíssimo ´pueblo´ medieval que mereceu paragem mais demorada, justificando distinção na rede das Aldeias mais Belas de Espanha. Momentos de descontração antes da subida até ao Alto da Penha de Francia, onde o Santuário dedicado a Nossa Senhora, regido por padres dominicanos, é o local de culto mariano em altitude mais elevada em todo o Mundo, 1727 metros acima do nível do mar. Dali, do santuário da ‘Padroeira de Salamanca e protetora de Portugal e Posessiones; Patrona de Leon y Castilla e Patrona de Córdoba Argentina y Nueva Caceres Filipinas das regiões ultramarinas’ pode, em dias de céu limpo, vislumbrar-se amplo horizonte, de Salamanca até Monton de Trigo, e, em condições de excelente visibilidade, consegue mesmo ver-se… Portugal. Após confirmar as miras que indicam o sentido de cada uma das cidades e vilas, e ver um peculiar relógio de sol, seguiram os ‘aventureiros’ serra abaixo, com passagem por Serradilla del Arroyo, antes de atravessar Ciudad Rodrigo e parar em Vale del Fresno para aproveitar os bem mais apetecíveis preços da gasolina. E, com combustível suficiente para seguir viagem e arrancar para o Moto Rali, seguiu a caravana até em Penamacor, a tempo de aproveitar as magníficas condições do Hotel SPA Terma de S. Tiago.