Se o destino for alcançável de moto
nós iremos lá!

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A voz do Fundador - José Fonseca

Por José Fonseca - sócio nº 14 de 14 de Maio de 1986

Grande sucesso da 11ª edição da Festa da Moto no Parque da Cidade, para comemorar o 35º aniversário do MCP. Com mais de 100 expositores e a participação de muitos pilotos em demonstrações que decorreram num espaço muito animado, esta foi a melhor forma que o maior moto clube da Invicta encontrou para trazer mais uma vez a Moto ao Grande Público e comemorar o seu aniversário.

Estiveram presentes mais de 50.000 visitantes que apreciaram as máquinas de outros tempos a gasolina, agora que as motos são 100% eléctricas…

(noticia retirada do JN de 2021/Junho)

Será este um possível futuro?!!!..., porque não?

O que nos anos 80 começou por ser um grupo de amigos que viajava e que se junta para fazer este clube, nunca imaginou que cresceria ao ponto de criar a “família” motociclista que persiste até hoje e consegue manter o espírito original de entre ajuda e viajar de moto.

È este o espírito que deve prevalecer para o futuro.

Foi aqui que nasceram eventos emblemáticos como o Lés a Lés, os Morcegos, os Chassos ou o Piquenique Brincalhão, e agora o mais recente, a Festa da Moto. Deste clube saíram campeões Nacionais e viajantes que percorreram todos os Continentes pelas rotas mais difíceis.

É assim o nosso clube, muito “eclético” e já uma imagem de marca forte, que tem sabido cativar os sócios mais antigos e novos elementos que são muito bem vindos para revitalizar e garantir a continuidade deste espírito para o futuro.

Entrei para este clube desde a 1ª hora, e tendo na altura a minha 1ª moto, uma DT 125 AC, quando cheguei ao 1º encontro estavam os Garcias e o Manel Nº 1, entre outros, todos com grandes máquinas. Fiquei a babar e a querer saber mais pormenores daquelas belezas. Desde o inicio sempre houve uma grande empatia entre todos e o que começou com uns poucos, rapidamente cresceu para um grande grupo que nos dias de verão fazia entupir o trânsito na marginal da Foz para ver as nossas máquinas… era lindo.

Foram 25 anos fantásticos deste clube vivo, e sendo eu a ter a honra de finalizar estas crónicas da Voz do Fundador, apelo a todos a continuarem a apoiar o NOSSO MCP e a construirmos juntos um futuro ainda melhor do que até aqui… e porque não como o imaginário de 2021?...

Abraços para todos (beijos para a secção feminina) e muitas curvas… de moto, claro...

A voz do Fundador - Lizuarte Gomes

Por Lizuarte Gomes - sócio nº 13 de 14 de Maio de 1986

Caros Amigos

Sobre o nascimento deste clube, de que hoje todos nós nos orgulhamos, não me parece haver nada mais a acrescentar ao que já foi dito pelos anteriores relatores.

No entanto, e aproveitando esta oportunidade para recordar outros tempos, retrocederia mais de trinta e cinco anos para vos falar daquelas motos, as que naquela altura usávamos, e que não eram mais que as resistentes do velho império inglês, travestidas para parecerem mais actuais.

Recordo a família Garcia, que na época revolucionou o motociclismo na cidade do Porto, com o pai Garcia e a sua Norton Comando 750, o saudoso Jorge Garcia e a sua Triumph 500 dos anos cinquenta e o mais jovem Osvaldo Garcia que, em paralelo com o que se passava comigo, insistia em trazer para a estrada as velhas Harley KH 900 da extinta Policia de Viação e Trânsito, convertidas em moderníssimas versões “café racer”.

Lembro também o meu amigo Virgílio Guimarães, hoje em dia mais conhecido como o “Bala” com a sua rapidíssima BSA A-7 SS dos princípios dos anos sessenta, e as corridas que então fazíamos nos regressos a casa, assim como as enormes poças de óleo que deixávamos no terreno, sempre que se parava  para um convívio de café e acalmar a tremedeira nos pés.

Já nos meados dos anos setenta e com a chegada da nova tecnologia japonesa, este espírito foi mudando e os horizontes dos passeios alargando. Recordo com saudade os passeios que então realizamos, as idas a Sanxenxo, as almoçaradas no Gerêz, mas também a gasolina a cinco escudos e setenta centavos, o espírito de entreajuda e grande amizade reinante entre todos, os regressos a casa com um pendura ou como pendura, a fiabilidade mecânica não era exactamente a de hoje em dia, assim como as motos que usei e que ainda hoje guardo, que se iniciaram por volta dos quinze anos com uma Yamaha ss50, mais tarde com uma Kawasaki 350 a que se seguiu uma Z1 900, e que já nos inícios dos oitenta passou a ser a Z 1300. Em paralelo com a condução destas motos, à época modernas, crescia já o gosto pelo restauro e conservação de exemplares bastante mais antigos, que ao longo dos anos foi adquirindo.

Já agora e como curiosidade, será que no ano de comemoração dos 25, alguém ainda se lembra da primeira apresentação pública e televisiva deste nosso Clube? Bem eu digo, foi realizada nos estúdios da RTP 2, no decorrer dos anos oitenta, em que fomos representados por uma muito digna Indian de 1929 e uma majestosa Kawasaki GTR 1000, representativa do que mais moderno se produzia na época.

Mas já chega de recordar, porque o Clube está vivo e bem vivo, como facilmente se pode verificar pela sua recente e em todos os termos, louvável, realização da Festa da Moto, que não só muito dignifica esta associação, mas também todos aqueles que com a sua dedicação nela se empenharam. Assim vale a pena, que a festa se repita.

Até sempre

Com um abraço amigo

Lizuarte Gomes