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Mais de 1500 motos em protesto no Porto

01 Protesto contra a ANCIA no Porto a 19 de junhoMotociclistas contra a farsa das inspecções encheram Aliados

Com uma fantástica adesão de mais de 1500 motociclistas do Norte de Portugal, a Demostração de Protesto que o GAM – Grupo de Acção Motociclista – convocou para a tarde de domingo, 19 de junho, deixou marca de união e simpatia na Baixa do Porto, uma das cinco cidades escolhidas para palco desta iniciativa contra a forma como estão a ser conduzidas e anunciadas as Inspecções Periódicas Obrigatórias para as motos.

A participação dos motociclistas foi de tal forma que a Avenida dos Aliados, diante da Câmara Municipal do Porto ficou desde cedo repleta de motos estacionadas, de forma bem organizada, e de slogans colados na sua dianteira.

Com tal sucesso, os responsáveis presentes do GAM e do Moto Clube do Porto – fundamental no sucesso do evento – até decidiram antecipar a hora de partida do desfile, após algumas palavras e agradecimentos aos presentes, num ambiente de autêntico comício, junto à estátua de Almeida Garret.

Daí partiu-se para um memorável desfile de 6,5 km pela Av. Da Liberdade, Sá da Bandeira, Gonçalo Cristóvão, Praça da República, Rua da Boavista e Rotunda, Júlio Dinís, Palácio, Cordoaria, Clérigos e de novo Aliados.

Com o mar de motos bem compacto, ruidoso de buzinas mas sem acelerações escusadas, a gigantesca mole motociclística foi alvo de imensas fotos de turistas e população, num protesto pacífico e entusiasmante.

As fotos, de autoria da Delfina Brochado, dizem tudo!

E nas outras cidades?

2000 motos em Lisboa, 1500 em Faro, 500 no Funchal e algumas em Castelo Branco segundo responsáveis do GAM.

O protesto em Lisboa terminou com excelente discurso do deputado Miguel Tiago, diante do Parlamento, onde foi entregue o Manifesto com as nossas razões de protesto, carta que podes ler no final desta notícia

Comunicação Social?

Boa reportagem em directo da SIC, com excelentes declarações do “nosso” Paulo Ribeiro, e mais alguns minutos na RTP, TVI e Porto Canal, pelo menos. Como é normal nestas coisas, nem todos os orgãos de comunicação social abordam os factos pelo mesmo prisma, dependendo das chefias das redações e seus interesses e amizades. Notório quando o Público refere apenas centenas de motociclistas e só fala de Lisboa. 

O que interessa é que a mensagem está passada. A ANCIA quer é apenas negócio e está-se a marimbar para a segurança. E essa queremos nós, motociclistas.

Manifesto entregue no Parlamento

MOTOCICLISTAS CONTRA A FARSA DAS INSPECÇÕES ÀS MOTOS

RAZÕES DE PROTESTO

Aos Grupos  Parlamentares  da Assembleia da Republica Portuguesa

Solicitamos à Assembleia da Republica Portuguesa  que acompanhe esta questão das inspecções  às motos para que o governo, em vez de penalizar os motociclistas sem qualquer contrapartida,  preserve e até incentive a utilização de um meio de transporte cada vez com maior aceitação social, devido às suas grandes vantagens em termos de mobilidade,  economia financeira e de recursos energéticos, com consequentes vantagens ambientais, assim como,  economia de espaço sobretudo nos grandes centros urbanos, onde este é um problema  crescente e de muito difícil gestão.

Assim:

-    Estranhamos que o anúncio do início das inspecções às motos tenha sido feito pelo presidente da Associação Nacional dos Centros de Inspecção Automóvel (a ANCIA que tem óbvios interesses económicos directos na situação), e não por elemento do governo com poder de tomar essa decisão. Não é conhecida uma posição clara do governo sobre esta matéria.

-    Os motociclistas não estão contra as inspecções periódicas e obrigatórias às motos! Não aceitam é que as inspecções sejam movidas, única e exclusivamente, por meros interesses económicos e que se tente justificar  esta decisão com falsos argumentos de segurança.

-    Os motociclistas são a favor das inspecções desde que estas representem  uma mais-valia efectiva  para a prática do motociclismo. O que não se prevê considerando até o panorama das “inspecções periódicas obrigatórias” em vigor para outros veículos. 

-      Os motociclistas querem ser parte integrante do processo, contribuindo com a sua experiência para tornar as inspecções efectivamente relevantes.

-      Os “Centros de Inspecção”  devem ter algum grau de responsabilidade posterior e inerente ao acto de aprovação de um veículo numa inspecção. Um acidente de um veículo “inspeccionado” provocado por alguma falha mecânica, deve ser devidamente analisado e no caso de ser detectada  negligência no acto da inspecção deve-se responsabilizar  quem a fez.

 -     Queremos preservar a cultura motociclista, nomeadamente na área da personalização de motos, o que acontece na maioria dos casos  através de processos de autêntica reciclagem de motos  já fora de circulação, mas que,  devidamente recuperadas e remodeladas, voltam a reunir condições para rodarem, regra geral,  até com melhorias significativas em termos de segurança.  Deve-se ter em atenção que esta é uma área empresarial no nosso país que dá trabalho a muita gente.

-     Não existe legislação que permita as inspecções no imediato! Neste momento, está por publicar a portaria que fixa as condições e datas de implementação que, por seu turno, está dependente do processo de aprovação das condições dos centros de inspecção para a vistoria de novas categorias de veículos.

-     Foi dito pelo presidente da ANCIA que as inspecções teriam início a 1 de Outubro e até falou no custo de 12,50 € mais IVA mas não falou do que é realmente importante: quais os parâmetros a avaliar ou os intervalos temporais dessas inspecções. A preocupação maior (a única defendida pela ANCIA!) prende-se com a necessidade de rentabilizar o equipamento já instalado por muitos centros de inspecção. Porque fizeram esse investimento se não existia qualquer legislação nesse sentido? Quem ditou as regras das inspecções, nomeadamente quais os parâmetros a avaliar?

-     O Código de Estrada possui regras bem claras quanto às condições que cada veículo deve exibir para circular na via pública, nomeadamente quanto a luzes, piscas, espelhos, estados dos pneus, documentos, etc. Assim, questionamos se as inspecções serão apenas uma forma de controlar o trabalho das polícias?

-     Quanto ao facto de quererem ver as inspecções alargadas a todos os motociclos e ciclomotores desde os 50 cc, o responsável da ANCIA foi claro ao dizer que esta seria a única forma de amortizar os elevados investimentos feitos pelos centros de inspecção. Nunca falou na questão das mais valias que esta medida poderia trazer para os motociclistas; certamente porque tem consciência de que não existem nos moldes  como está a ser preparada.

-     Recorde-se que a redacção de uma Norma Comunitária sobre inspecções às motos ficou adiada até 2022, precisamente por falta de consenso a nível do Conselho da Europa;  segundo estudo efectuado na Comunidade Europeia, apenas menos de 3% por cento dos acidentes com motociclos são causadas por falhas mecânicas, o que não justifica minimamente a relação custos/benefícios da implementação das inspecções.

- Apenas mais um  pormenor  de alguma importância para outros que não andam de moto. Assim, não quisemos  provocar qualquer incómodo aos restantes cidadãos que têm de se  deslocar em dias de trabalho no Porto, Lisboa, Faro e Funchal, por isso, marcámos  esta acção de protesto para um domingo à tarde; precisamente para criar as mínimas complicações aos outros utentes da via pública.

-Agradecemos a vossa atenção ao exposto na esperança de que possamos contar com o vosso apoio nesta causa de defesa das motos e dos motociclistas.

GAM-Grupo de Acção Motociclista

Antonio Manuel

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